Especialistas apontam que o futuro do trabalho exigirá dos jovens a combinação entre competências digitais e habilidades humanas

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Com o avanço da inteligência artificial e das novas tecnologias, pesquisas apontam que o mercado de trabalho em 2026 exigirá dos jovens muito mais do que formação técnica. É necessário desenvolver pensamento crítico, criatividade, capacidade de resolver problemas, comunicação eficaz e adaptação constante. Especialistas orientam que esses profissionais precisam traçar um projeto de futuro, com a união de qualificação digital, competências humanas e flexibilidade para lidar com as transformações.

Conforme o Relatório sobre o Futuro do Trabalho 2025, do Fórum Econômico Mundial (FEM), as mudanças tecnológicas devem moldar o cenário trabalhista global até 2030. Inteligência artificial e big data lideram a lista de habilidades em crescimento mais rápido, seguidas por redes e cibersegurança, além da alfabetização tecnológica. O estudo também confirma que competências como pensamento criativo, resiliência, flexibilidade, agilidade, curiosidade e aprendizado contínuo devem ganhar cada vez mais importância nos próximos anos.

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Para a psicóloga Ana Cordovil, do Amazonas, especialista em testes vocacionais, os jovens devem compreender que o conhecimento em tecnologia é apenas um dos pontos relevantes. O que realmente fará diferença é a combinação entre domínio técnico, trabalho em equipe e capacidade de adaptação.

“O profissional do futuro será aquele que une habilidades tecnológicas e humanas, alguém capaz de usar a tecnologia para resolver problemas, aprender continuamente e colaborar de forma eficaz com outras pessoas”, afirma.

Cordovil acrescenta que cresce a demanda por profissionais com habilidades mais complexas, como pensamento crítico e criatividade, o que gera dois efeitos: maiores oportunidades e alguma incerteza.

“De um lado, amplia significativamente o leque de possibilidades profissionais, com novas áreas surgindo, principalmente ligadas à tecnologia, dados e inovação. De outro, também traz certa insegurança, já que o mercado se transforma rapidamente e algumas profissões podem se modificar ou até desaparecer ao longo do tempo”, observa.

Geração Z 

Já o relatório do FEM indica que a participação da geração Z, formada pelos nascidos entre 1998 e 2012, no mercado de trabalho deve crescer rapidamente e alcançar 58% da força laboral global até 2030. Essa expansão vem acompanhada de uma busca constante por evolução profissional, já que 86% dos jovens afirmam que suas escolhas estão diretamente ligadas às oportunidades de crescimento e aprendizado dentro das organizações.

Doutora em economia e professora da UFAM Denise Kassama. Foto: Nilton Ricardo

A doutora em Economia e professora da Universidade Federal do Amazonas Denise Kassama Franco do Amaral observa que, apesar dos avanços da inteligência artificial, algumas áreas permanecem pouco afetadas. Ela relembra que, há três décadas, quando estudava economia, os cálculos eram feitos apenas na calculadora, já que não havia internet nem notebooks. Hoje, sistemas e planilhas inteligentes agilizam esse processo, mas, sem a base manual, seria impossível interpretar corretamente os resultados fornecidos pelas tecnologias. Nesse sentido, a professora enfatiza que é essencial ter conhecimento sólido, mas também ir além.

“Entendo que o jovem atual, dependendo do segmento, precisa estar antenado às redes sociais, desde que saiba separar o joio do trigo. Hoje, as redes sociais são ferramentas de trabalho para o marketing de empreendimentos e muitas outras atividades. Por isso, é fundamental que ele esteja atento e saiba usar essas ferramentas a seu favor.”

Feira Norte do Estudante

Para a economista, também é essencial a realização de eventos que ofereçam orientação aos estudantes, iniciativas que ajudem a dar norte aos jovens e proporcionem uma visão sobre as carreiras em ascensão e as tendências do mercado.

“Muitas vezes, no ensino médio ou mesmo na internet, não se encontra todo esse conteúdo. Nessas feiras, os estudantes têm a oportunidade de conhecer novas áreas e profissões, o que contribui até para a escolha de um curso superior ou de uma carreira”, destacou.

Foto: Arquivo FNE

Nesse cenário, a Feira Norte do Estudante 2026 (FNE), que será lançada no dia 25 de março na Livraria Valer, no Centro de Manaus, das 9h30 às 11h30, oferece aos estudantes a oportunidade de ter contato direto com universidades, especialistas, empresas e novas áreas do conhecimento. A coordenadora da feira, Inês Daou, reforça a relevância da iniciativa diante das mudanças no ambiente de trabalho e da crescente busca por qualificação na área de tecnologia.

“Nosso objetivo é aproximar os jovens das possibilidades reais de carreira e mostrar que existem caminhos diversos, conectados às demandas atuais do mercado e às novas tecnologias”, finaliza.

Texto: Jonathan Ferreira